Governar por Amor? O Exemplo Que os Políticos Se Recusam a Dar

Políticos em sessão legislativa
Fonte: Unsplash

Introdução

Muitos políticos proclamam que governam “por amor ao povo”, “para servir”, ou “movidos pela vocação”. São discursos que soam bem em comícios, entrevistas e redes sociais. Mas quando chega a hora de mostrar coerência entre o que se diz e o que se faz, surge uma lacuna gigante.

Neste texto, vamos examinar essa contradição: professores exigem piso adequado, condições decentes e valorização, enquanto muitos políticos mantêm privilégios — salários altos, benefícios e auxílios. Veremos como o discurso de “governar por amor” frequentemente ignora os sacrifícios reais de quem ensina, e os exemplos que nunca são seguidos.


1. O Piso Salarial do Professor: Lei, Realidade e Lacunas

  • Em 2025, o piso nacional do magistério para jornada de 40 horas semanais foi reajustado para R$ 4.867,77.
    (gov.br/mec)
    Também reportado pela Agência Brasil:
    (agenciabrasil.ebc.com.br)
  • Porém, muitos municípios ainda não cumprem integralmente esse piso. Pesquisas e levantamentos locais indicam que um terço deles não paga o valor legalmente fixado.
    (terra.com.br)

2. Os Privilégios Políticos que Contrastam com a Realidade Docente

2.1 Salários muito acima da média

  • Deputados federais, senadores e ministros figuram entre os cargos de maior remuneração do serviço público, com valores que ultrapassam R$ 46 mil mensais, segundo reportagens especializadas.
    (investidor10.com.br)
  • A CNN Brasil aponta que esses cargos chegam a receber 15,2 vezes o salário médio da população.
    (cnnbrasil.com.br)

2.2 Disparidades relatadas por análises

  • Um relatório de mídia afirma que políticos e juízes ganham até 22 vezes mais que a renda média do brasileiro.
    (ceilandiaemalerta.com.br)
  • Em 2025, a Câmara dos Deputados aprovou proposta para que professores contratados por tempo determinado também recebam o piso nacional, o que evidencia que os políticos reconhecem a necessidade, mas nem sempre a prática.
    (câmara.leg.br)

3. A Ausência de Exemplos Práticos de Governar “por Amor”

Se políticos realmente desejassem demonstrar que governam por amor, poderiam adotar medidas como:

  • Renunciar a parte de seus privilégios (auxílios, verbas de gabinete)
  • Reduzir seus próprios salários para se aproximar da realidade da maioria
  • Priorizar orçamento para educação, antes de aumentos automáticos de cargos políticos

Até agora, poucas lideranças fizeram isso de fato. O discurso permanece, mas o exemplo raramente aparece.


4. Amor, Vocação e o Preço dos Professores

  • Professores são cobrados para amar sua profissão, manter paciência, educar em ambientes sem estrutura, em turmas grandes e com jornadas extras não remuneradas.
  • Mesmo com esse chamado à vocação, muitos estados e municípios não aplicam o piso legal, contrariando aquilo que se exige dos docentes.
  • Pedir amor ao professor sem fornecer condições mínimas é pedir sacrifício. E sacrifício não pode ser a regra de uma profissão essencial.

5. Consequências da Contradição

  • Desmotivação e evasão: docentes abandonam a carreira ou caminham para redes privadas para garantir sobrevivência.
  • Desigualdade social reforçada: quando os recursos favorecem o poder político mais que a educação básica, o fosso social cresce.
  • Perda de legitimidade: quando o povo percebe que quem fala de amor vive em luxos, a confiança nas instituições se erosiona.

6. Exemplos Reais de Políticos Privilegiados que Nunca “Governaram por Amor”

  • Ajustes recentes elevaram salários de ministros e parlamentares para patamares superiores a R$ 46 mil, mesmo em contexto de crise econômica, enquanto muitos professores ainda esperam cumprir o piso legal.
    (investidor10.com.br)
  • Ao mesmo tempo, estados que deveriam garantir o piso nacional ainda falham em alguns municípios, evidenciando que o descumprimento persiste.
    (terra.com.br)

7. Caminhos Para que “Governar por Amor” Seja Algo Real

  1. Transparência total nos gastos públicos, especialmente nos auxílios, verbas de gabinete e cargos comissionados
  2. Revisão de privilégios — que sejam públicos e justificáveis ou reduzidos para alinhar-se com a realidade da maioria
  3. Cumprimento rigoroso do piso do magistério, com fiscalização nacional, estadual e municipal
  4. Prioridade de orçamento para educação básica — com cortes em privilégios supérfluos
  5. Exemplos simbólicos de políticos renunciando benefícios ou reduzindo salários para demonstrar compromisso

Conclusão

Governar por amor é ideal que necessita de coerência.
Se políticos mantêm privilégios distantes da vida dos professores e cidadãos comuns, o discurso se torna hipocrisia.
Para que o Brasil valorize seus educadores e promova justiça social, precisamos cobrar que quem promete “governar por amor” comece a dar exemplo — com ações, não apenas palavras.


Referências

  • Piso dos professores 2025 fixado em R$ 4.867,77
    (gov.br/mec)
  • “Salário dos professores: piso da educação sobe 6,27%”
    (agenciabrasil.ebc.com.br)
  • Cobertura de que um terço dos municípios não paga o piso
    (terra.com.br)
  • A reportagem da CNN Brasil sobre 9,1 milhões de jovens que abandonaram a escola até 2023
    (cnnbrasil.com.br)
  • Projeto aprovado para que professores temporários tenham direito ao piso nacional
    (câmara.leg.br)

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