Nenhum poder teme tanto quanto aquele que educa.
O professor, com um quadro e um pedaço de giz, carrega a força de transformar consciências — e é exatamente por isso que, historicamente, o sistema político brasileiro o trata como ameaça.
A desvalorização docente não é descuido: é estratégia.
A Ignorância Como Ferramenta de Controle
Em um país onde o pensamento crítico é visto como perigo, o professor torna-se o inimigo invisível.
Quem ensina a pensar desmonta estruturas de poder baseadas na alienação.
Por isso, não é coincidência que os profissionais da educação sejam mal pagos, desrespeitados e constantemente deslegitimados.
A desvalorização dos professores no Brasil serve a um propósito político:
quanto menos autonomia intelectual um povo tem, mais fácil é manipulá-lo.
Manter o professor fragilizado é garantir que a educação continue submissa aos interesses do poder.
A Retórica do “Custo” e o Silenciamento da Voz Docente
A narrativa de que “educação é cara” é uma das maiores mentiras do discurso público.
Caro é o atraso, o desemprego, a violência e a dependência social produzidos pela má educação.
Ainda assim, governos insistem em tratar a escola como um problema orçamentário e o professor como um gasto supérfluo.
Enquanto isso, vozes docentes que denunciam as falhas do sistema são criminalizadas ou ridicularizadas.
Movimentos de professores que lutam por dignidade são retratados como “baderna”.
O mesmo Estado que ignora salas sem ventilação e merenda insuficiente, reprime greves com truculência e tenta silenciar quem exige respeito.
O Medo de Um Povo que Pensa
O medo do sistema político é simples: educação gera pensamento crítico, e pensamento crítico gera resistência.
Cada aluno que aprende a ler o mundo se torna menos manipulável.
Cada sala de aula que forma cidadãos conscientes é um passo a menos para o autoritarismo.
Por isso, a luta docente é também uma luta pela democracia.
Quando o professor é enfraquecido, o Estado se fortalece em seu poder de controle.
E assim, a escola, que deveria ser o espaço da liberdade, transforma-se em um campo de contenção do pensamento.
Resistir é Ensinar
Mesmo sob ataques, cortes e desvalorização, o professor resiste.
Ensinar, nesse contexto, é um ato político — uma forma silenciosa de insurgência.
Cada aula dada com paixão é uma resposta à tentativa de silenciamento.
Cada estudante que aprende a questionar é uma vitória sobre o autoritarismo cotidiano.
A educação pública brasileira ainda respira porque há professores que se recusam a desistir, mesmo quando o país parece desistir deles.
📚 Leitura recomendada
- Quando a Educação Deixa de Ser Prioridade: O Retrocesso de um País
- Paulo Freire e a Voz que Ainda Ecoa
- Relatórios do Todos Pela Educação
✊ Conclusão
Os professores não são inimigos do Estado — são os guardiões da democracia.
Mas, em um sistema político que teme o saber, educar se torna um ato de coragem.
Enquanto o poder tenta calar a escola, os educadores continuam falando, ensinando e resistindo.
O futuro de um país não se mede pelo PIB, mas pela forma como ele trata quem ensina.
E se há algo que o Brasil precisa aprender urgentemente é que não existe democracia sem professores livres e valorizados.