Um Tributo aos Mestres: Por Que Nunca Devemos Esquecer Quem Nos Ensinou

Há quem diga que a educação é o pilar de uma nação. Mas se isso é verdade — e é — por que os pilares seguem sendo empurrados para a escuridão? No Brasil, falar de professores é falar de resistência, memória e sobrevivência. É falar de mulheres e homens que, mesmo silenciados por políticas de descaso, continuam carregando, no gesto diário, o poder transformador de um país que ainda não entendeu quem são seus verdadeiros heróis.

Este texto não é apenas um tributo. É um chamado. Uma lembrança necessária. E, sobretudo, um ato de reconhecimento a quem nunca deveria ter sido esquecido.


A Memória do Brasil Passa por Quem Ensina

Cada pessoa que hoje lê, trabalha, cria, debate, critica ou transforma o mundo só o faz porque um professor existiu antes. Parece óbvio, mas não é. O óbvio tem sido sistematicamente apagado por discursos que tentam reduzir o magistério a mera tarefa técnica, como se formar seres humanos fosse uma operação mecânica.

A memória coletiva de uma nação passa pelos professores porque são eles que acendem as primeiras luzes do pensamento. São eles que apresentam o mundo à criança e, muitas vezes, apresentam a própria criança para si mesma. Como lembra Paulo Freire, a educação é sempre um ato político — e isso assusta quem prefere cidadãos dóceis.

“Ensinar exige coragem” — Paulo Freire
Referência: https://www.paulofreire.org/


O Profissional Mais Importante, Tratado como o Menos Importante

Como explicar que um país que diz valorizar a educação mantenha seus docentes como uma das categorias mais precarizadas do setor público?
Segundo dados do Todos Pela Educação:
https://www.todospelaeducacao.org.br

  • Professores brasileiros ganham menos que outras carreiras com formação semelhante.
  • Quase metade trabalha em mais de uma escola para complementar renda.
  • A sobrecarga burocrática consome horas que deveriam ser dedicadas ao planejamento e ao cuidado pedagógico.
  • As licenças médicas explodem por causa do adoecimento mental — fruto de violência, desvalorização e excesso de trabalho.

Valorizar o professor não é elogiar em datas comemorativas. É garantir condições dignas para existir. E isso o Brasil ainda não fez.


Professores São Arquitetos do Futuro — Mesmo Sem Materiais

Há anos o debate público tenta responsabilizar o professor por tudo: crise educacional, evasão escolar, baixo desempenho, violência, desigualdade. Mas ninguém questiona por que esses profissionais são cobrados como arquitetos, enquanto recebem apenas migalhas para erguer uma construção que deveria ser nacional, coletiva, estrutural.

Os professores seguem, mesmo assim, criando futuros — muitas vezes com recursos próprios, com criatividade infinita e com a força de quem acredita em algo maior do que si mesmo.

Se existe cidadão crítico, pesquisador, cientista, artista, engenheiro, enfermeiro, programador, agricultor ou líder comunitário, isso só existe porque um professor abriu o caminho.
E isso é tão evidente que parece inacreditável que ainda precise ser defendido.


O País Que Esquece Seus Mestres Está Condenado ao Próprio Passado

Nenhum país se desenvolveu sem colocar a educação no centro das decisões políticas.
Finlândia? Coreia do Sul? Canadá? Todos têm algo em comum: professores respeitados, bem remunerados e com autonomia pedagógica.
Você pode confirmar nos estudos da OCDE:
https://www.oecd.org/education/

O Brasil, no entanto, segue escolhendo o caminho mais curto — e mais cruel: cortar investimentos, culpabilizar docentes e ignorar o papel social da escola.

Um país que esquece seus mestres não avança. Ele se repete. Ele se corrói. Ele retorna sempre ao mesmo lugar.


Porque Nunca Devemos Esquecer Quem Nos Ensinou

Lembrar dos professores é lembrar do que nos formou. De quem nos ensinou a escrever o nome. De quem acreditou quando ninguém acreditava. De quem enxergou potencial onde o resto do mundo só via dificuldade. De quem, muitas vezes, assumiu papéis que ultrapassavam a sala de aula: psicólogo, conselheiro, mediador, escudo contra a violência.

Esquecer esses mestres é trair a nós mesmos.

Cada professor que passa por nossa vida deixa algo que ninguém mais pode dar: uma marca invisível, mas permanente, que nos acompanha até o fim.


Tributo é Reconhecimento, Mas Também é Luta

Este texto é, sim, um tributo. Mas também é denúncia. Porque homenagear professores sem falar sobre as injustiças que eles enfrentam é transformar homenagem em hipocrisia.

Por isso, este tributo é também:

  • um chamado por salários dignos;
  • um pedido por condições de trabalho humanas;
  • um clamor por políticas públicas reais;
  • um grito contra a violência que invade escolas;
  • uma defesa da autonomia pedagógica;
  • um lembrete de que sem professor não existe futuro.

Conclusão: A Gratidão Que Se Transforma em Ação

Que este tributo não seja apenas leitura, mas movimento.
Que cada pessoa que passou por uma sala de aula — e isso significa todas as pessoas — reconheça a dívida histórica que o país tem com seus educadores.

E que possamos, coletivamente, transformar gratidão em política.
Memória em luta.
Respeito em investimento.
E os professores, finalmente, em prioridade.

Porque nunca devemos esquecer quem nos ensinou.
E porque, se esquecermos, deixamos de existir como sociedade.

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