Entrar em muitas escolas públicas brasileiras é como percorrer o retrato mais cru da desigualdade.
Paredes rachadas, salas sem ventilação, livros ultrapassados, professores exaustos e estudantes desmotivados.
Esse cenário não é fruto do acaso: é resultado direto de uma política antissocial que faz da negligência um projeto de Estado.
Quando o Estado Se Retira, a Desigualdade Avança
A educação pública deveria ser o espaço da igualdade, mas se tornou o reflexo da exclusão.
Enquanto escolas privadas se modernizam e recebem investimento tecnológico, a escola pública é deixada à própria sorte.
E quando o Estado se retira, quem ocupa o espaço é a miséria.
Segundo dados do Todos Pela Educação, mais de 40% das escolas públicas não possuem biblioteca, laboratório de ciências ou acesso adequado à internet.
Em comunidades periféricas e zonas rurais, o abandono é ainda mais evidente: a escola se torna o retrato da ausência do Estado.
A Política do Descaso
A negligência educacional não é neutra — é uma escolha política.
Reduzir investimentos, congelar salários e sobrecarregar docentes é uma forma silenciosa de perpetuar a desigualdade.
O sucateamento das escolas não acontece por falta de recursos, mas por falta de prioridade.
Enquanto o discurso oficial fala em “modernização” e “eficiência”, a realidade mostra crianças estudando em prédios insalubres e professores sem condições de trabalho.
Trata-se de uma política antissocial, que transforma direitos em privilégios e o futuro em estatística.
O Preço do Abandono
O abandono escolar não é apenas físico — é simbólico.
Ele comunica aos jovens que seu aprendizado não importa, que seu bairro não merece investimento, e que seu futuro não é prioridade.
Essa sensação de exclusão alimenta um ciclo perverso: quanto mais precária a escola, menor a expectativa de ascensão social.
O resultado é um país que naturaliza o fracasso educacional como se fosse inevitável.
Mas nenhum povo se torna livre enquanto sua escola é tratada como fardo.
Professores: Resistindo no Meio do Caos
Mesmo diante do abandono, há resistência.
Professores transformam sucata em sala de aula, improvisam material didático, ensinam sob goteiras e ameaças.
São eles que mantêm viva a esperança de que a escola pública ainda pode ser um espaço de transformação.
Como afirma o educador Miguel Arroyo, “a escola é o território mais visível da desigualdade e o mais fértil para a resistência”.
E é justamente por isso que, ao ser abandonada, ela revela o verdadeiro rosto da política: aquele que escolhe quem tem direito ao futuro.
📚 Leitura recomendada
- O Magistério e a Democracia em Risco
- O Preço do Abandono: Como a Educação Afeta o Desenvolvimento Econômico
- Relatório da UNESCO sobre financiamento educacional
✊ Conclusão
A escola abandonada é o espelho de um país que decidiu esquecer seu povo.
Cada parede que desaba, cada sala vazia, cada professor exaurido é uma denúncia silenciosa de que a política social fracassou.
Enquanto houver crianças estudando em ruínas, não há progresso possível.
Reconstruir a escola é reconstruir o Brasil — do chão da sala de aula até o topo do poder.