A sala de aula deveria ser um templo de esperanças, descobertas e transformação. Entretanto, há décadas o que se vê no Brasil é o ambiente da educação pública sendo corroído pelas escolhas políticas equivocadas, pela falta de investimento, pela desvalorização de quem verdadeiramente faz a diferença: os professores. Este artigo é um tributo à resistência e à esperança dos docentes que, cansados de esperar que “alguém faça alguma coisa”, saem às ruas, ocupam assembleias, ecoam suas vozes e exigem respeito.
1. O professor como vetor da transformação
O professor não é um coadjuvante: é protagonista. É quem planta as sementes do saber, da curiosidade, da cidadania. Mas o respeito que a sociedade e o Estado prestam a ele não está à altura dessa missão. A remuneração congelada, a estrutura deficiente, a jornada exaustiva, a comissão de pais que questiona e o aluno que chega à escola sem ter tido café da manhã. Essas são realidades que clamam por humanidade, por ação — e revelam uma falência de vontade política.
Enquanto a sala de aula se torna um campo de batalha simbólico, o professor permanece ali, resistindo — porque acredita no poder da educação, mesmo quando ela mesma é subestimada.
2. O descaso que vira política: como chegamos aqui
Não é coincidência que manifestações de professores e trabalhadores da educação sejam cada vez mais frequentes. Em abril de 2025, por exemplo, profissionais da educação de todo o país se mobilizaram em paralisação nacional em defesa da escola pública, da valorização profissional e contra a privatização. Sinpro-DF Em outro momento, em 2019, uma greve nacional da educação foi articulada contra cortes orçamentários, reformas e ataques à educação pública. ANDES-SNEl País Brasil
Esses movimentos não surgem da noite para o dia — são o resultado de anos de negligência: falta de reajuste digno, planos de carreira que não avançam, infraestrutura que colapsa, turmas superlotadas, falta de apoio pedagógico. Enquanto isso, as lideranças políticas, muitas vezes, usam a educação como palco de discurso e não como campo de ação. O professor é tratado como estatística, não como ser humano.
3. Da sala de aula à rua: a mobilização como resposta
Quando a voz da sala de aula não é ouvida, a voz da rua toma o microfone. A mobilização dos professores revela algo profundo: não se trata apenas de salários, mas de dignidade. Em 23 de abril de 2025, o site Brasil de Fato relatou que professores de vários estados fizeram paralisações e protestos por melhores condições de trabalho e contra privatizações. Brasil de Fato
Não é exagero dizer que o magistério está em estado de urgência — e que a luta já transcende a sala de aula: abraça a escola como espaço de cidadania, de resistência, de construção de futuro. Afinal, quando a educação definha, definha também a promessa de um país mais justo.
4. O professor reivindicando respeito: o que isso significa
Respeito — essa palavra simples, mas pesada — para o professor significa, entre outras coisas:
- Ser valorizado com salário justo que reconheça o papel social;
- Ter condições físicas dignas de trabalho: sala arejada, recursos pedagógicos, apoio técnico;
- Participar da gestão da escola com autonomia e ser escutado na elaboração de políticas;
- Não ser visto como função burocrática ou “coisa menor”, mas como agente de mudança.
Quando isso não ocorre, o professor se sente silenciado, invisível, relegado. E então, a sala de aula vira palco de resistência. Ele protesta, ocupa, reivindica — não por vaidade, mas por justiça.
5. Crítica ao poder público: entre discursos e ações
Há um paradoxo evidente: a educação é enaltecida em discursos, mas é negligenciada em orçamentos, políticas e práticas. Políticos posam ao lado de quadro-negro, falam de futuro, da criança, da formação — e depois aprovam cortes, atrasam repasses, não cumprem leis. A contradição é flagrante.
Exemplo: quando o professor se mobiliza nacionalmente, como em maio de 2019, com adesão massiva da categoria e dos estudantes, fica claro que o problema não é local e isolado — é estrutural. ANDES-SN
Enquanto isso, políticas de privatização ganham força, o ensino digital é imposto sem diálogo, a gestão democrática é ignorada. A ideologia do “menos Estado” vira menos educação, menos investimento, menos esperança. E quem sofre somos todos — mas sobretudo o professor que se ergue e a criança que espera.
6. A esperança que move a luta
Mas este artigo não é só denúncia: é também celebração. A esperança se renova a cada marcha, a cada sala de aula que resiste, a cada professor que decide que vale a pena continuar. Porque mesmo no descaso, há vida. Mesmo na falência de política pública, há projeto pedagógico. A escola pública ainda existe — como direito, como promessa, como revolução silenciosa.
E o professor, que está nessa trincheira, representa a esperança: de que a cultura da valorização volte, de que a educação gratuita, digna e pública se torne prioridade. A luta não é para amanhã — ela é agora.
7. Histórias que merecem ser ouvidas
Há professores que relatam: turmas com 40, 50 alunos; material didático que não chega; escolas com infiltrações, sem merenda digna; salários que esses profissionais consideram humilhantes. E, apesar disso, ainda entram na sala de aula com sorriso, portando mais disposição que o governo que os representa.
Esses relatos não são exceção — são sintoma. Sintoma de um sistema que assiste à própria fragilização e deixa que quem ensina pague o preço. E na ausência de respeito, o protesto se torna caminho.
8. Um país sem professores respeitados é um país sem futuro
Quando se negligencia o professor, nega-se o futuro. Porque quem ensina as próximas gerações não pode ser tratado como “gasto”, como “item de conta”. Ele é investimento. Ele é esperança. Ele é Brasil.
Imagine um país onde professores fossem reconhecidos — remunerados com dignidade, equipados, ouvidos, respeitados — ali, sim, veríamos uma escola que forma cidadãos críticos, criativos, livres. Mas enquanto isso não acontece, assistimos à erosão da educação pública, à migração para redes privadas, à manutenção de privilégios que excluem milhões.
E assistimos ao professor que se levanta, que protesta, que diz: “Eu existo. Eu ensino. Eu não aceito o silêncio.”
9. O que podemos esperar? O que podemos fazer?
- Cobrar dos representantes públicos que cumpram os orçamentos previstos para a educação, valorizem os professores e garantam infraestrutura.
- Apoiar os movimentos docentes de forma consciente — não como espetáculo, mas como exigência legítima de dignidade.
- Reconhecer que professor bem-tratado gera aluno bem-formado, gera comunidade mais forte, gera país mais igual.
- Enxergar além da sala de aula: reconhecer que toda política de educação que ignora o professor é uma política que ignora a democracia.
10. Conclusão: resistência, respeito e esperança
Da sala de aula ao protesto, a jornada dos professores é a viagem de quem não desiste. Não desiste dos alunos, não desiste da escola, não desiste do país. Resistência porque não há entrega, mas há luta; esperança porque o amanhã depende desse hoje.
E é urgente que esse país reconheça: respeitar o professor é respeitar a própria educação — e respeitar a própria nação. Chega de discursos vazios. Chega de promessas não cumpridas. A educação pública merece mais. Os professores merecem mais. E nós, como sociedade, precisamos dar esse passo.
“Quando valorizamos o professor, valorizamos o futuro.”
Que esta frase não fique no papel — que se converta em política, em ação, em realidade.