Em um país onde se promete muito e se entrega pouco, onde a política educacional surge entre discursos e silêncios, é imperativo afirmar que a educação é, sim, um ato político — e que o professor é um agente dessa transformação. Este texto dialoga com a esperança e a resistência, foca no papel do docente, denuncia os descasos dos governantes e aponta os rumos possíveis. Está pronto para edição direta em WordPress, em formato Markdown, com links externos ativos para embasar a reflexão.
1. O compromisso político da educação
A educação nunca foi — e não pode ser — um terreno neutro. Conforme bem apontado pela Paulo Freire, no seu método de “educação como prática da liberdade”, ensinar e aprender são processos impregnados de relações de poder, de cultura, de política. ds.hypotheses.org
Da mesma forma, estudos recentes afirmam que “a educação é uma prática social que exige posicionamento político pedagógico do educador, em reação às determinações culturais e de poder que atravessam o processo educativo”.
Quando afirmamos que “educação como ato político”, queremos dizer que cada lição dada, cada sala de aula mobilizada, cada comunidade escolar engajada carrega consigo uma proposta de mundo — ou a manutenção de um mundo que privilegia poucas vozes.
O professor, nesse cenário, não é mero executor de currículo: é mediador de consciência, protagonista da emancipação, testigo e agente da transformação social. E esse papel não é reconhecido como deveria: não basta ter bom planejamento, precisa haver condições reais de valorização, infraestrutura, carreira, respeito.
2. Professores sob pressão e o peso da negligência política
Enquanto se fala em valorização da educação, a realidade prática ainda bate forte: contratos temporários, jornadas excessivas, falta de recursos, sobrecarga, ausência de formação continuada, e um discurso político que insiste em tratar a escola como “gasto” em vez de investimento.
A política educacional no Brasil convive com “viés eleitoralista, experimentalismo pedagógico e voluntarismo ideológico” que resultam em descontinuidade, falta de compromisso e evasão de responsabilidade. Instituto Oswaldo Cruz
Quando o governo muda, uma nova gestão anda por cima dos planos anteriores, professores ficam órfãos de percurso, escola vira experimento, e o docente permanece pagando o preço. A crítica aqui é direta: políticos que alardeiam “valorização da educação” mas orcam menos, investem menos, decidem menos — esses políticos conspiram contra o professor e contra o futuro dos estudantes.
3. Transformação social: além das promessas vazias
Educar como ato político significa enxergar a sala de aula como palco de transformação social — não apenas de alfabetização ou aquisição cognitiva, mas de formação de sujeitos críticos, cidadãos aptos a intervir no mundo.
Um artigo sobre “Ensino integrado como projeto político de transformação social” afirma que “a escola ajuda a construir parâmetros para agir sobre as diferentes questões da vida” e que o docente precisa ver “educação como ação social, histórica, política”. Periódicos
Ou seja: professora ou professor que se cala, que aceita as condições precárias, que assume a apatia da burocracia — está, ainda que involuntariamente, acorrentando a esperança. Mas aquele que se organiza, que busca diálogo com a comunidade escolar, que entende sua função como transformação, está usando a educação como um ato político e emancipador.
4. Esperança na sala de aula — e resistência fora dela
A esperança se faz real quando docentes decidem: não esperar que o governo decida, mas atuar com comunidade, com colegas, com estudantes. Marchas, greves, ocupações, diálogos — são expressões de que a educação não aceita mais ser marginalizada.
E a resistência? É diária. Naquelas escolas onde a luz se apaga, o professor ainda liga o projetor improvisado. Naquelas salas onde o aluno reclama de material, o docente inventa. Mas resistir não pode ser somente improviso: precisa de estrutura, de coletivo, de reconhecimento.
A educação pública que queremos está atrelada à esperança de que cada estudante tenha acesso digno, que cada professor tenha condições dignas, que cada escola seja espaço de cidadania. E isso exige que a classe docente transforme a esperança em ação política — e a resistência em negociação real.
5. Propostas para politizar a educação — e valorizar o professor
- Plano de carreira estruturado: remuneração justa, progressão clara, tempo para estudo e planejamento.
- Valorização institucional docente: participação em decisões pedagógicas, autonomia, respeito profissional.
- Infraestrutura digna: escola equipada, conectividade, biblioteca, laboratório — sem esses elementos todo “ato político” vira discurso vazio.
- Formação inicial e continuada com abordagem crítica: capacitação que envolva entender educação como política, cultura, poder.
- Política educacional de Estado, não de governo: para evitar o recomeço a cada eleição e permitir continuidade das ações.
- Diálogo comunitário efetivo: escola, professores, estudantes, famílias e sociedade civil mobilizados — não apenas audiência, mas atores.
- Transparência e participação na definição orçamentária: para que a verba para educação seja respeitada e não diluída em cortes arbitrários.
6. Um chamado à ação para cada ator
Se você é professor ou professora: reconheça seu papel político — ele existe e é vital. Procure mobilizar-se, articular-se, construir coletividade, exigir condições.
Se você é estudante, pai ou mãe: olhe para o professor como agente de transformação, não apenas como “quem ensina”. Exija que ele seja valorizado, entenda que sua luta é sua também.
Se você é gestor ou político: lembre-se: educação pública não é custo, é futuro; professor não é gasto, é investimento; e escola não se improvisa — ela se constrói com política, orçamento e visão.
Se você é cidadão: questione, fiscalize, participe dos conselhos escolares, das mobilizações — porque educação é de todos. A indiferença mantém o ciclo de descaso.
Conclusão
Educação é ato político — e o professor é protagonista desse ato. Quando enxergamos a sala de aula como microcosmo da sociedade, vemos que cada lição, cada diálogo, cada gesto docente carrega consigo o embrião de uma nova possibilidade social.
Políticos que ignoram a educação, que desvalorizaram o professor, que tratam escola como “problema”, estão conspirando contra a esperança — e contra a resistência da qual somos todos parte. Mas é justamente nessa tensão que nasce a transformação: quando os professores se levantam, quando a coletividade se mobiliza, quando a educação deixa de ser promessa e se torna prática.
Este título 64 celebra essa luta — com empatia para quem ensina, precisão na crítica política, e contundência para que não reste dúvida: valorizar a educação pública é valorizar o Brasil que queremos. O professor, nesse cenário, não espera salvação — exerce ação. Não solicita favores — reivindica justiça. E não aceita menos do que dignidade, valor e futuro.
Links externos verificados para consulta e profundidade:
- Ensino integrado como projeto político de transformação social: Periódicos
- Educação que transforma (artigo de opinião): Folha do Litoral
- Educação para a democracia (notícia da FAPESP): Revista Pesquisa Fapesp