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Introdução
Muitos políticos proclamam que governam “por amor ao povo”, “para servir”, ou “movidos pela vocação”. São discursos que soam bem em comícios, entrevistas e redes sociais. Mas quando chega a hora de mostrar coerência entre o que se diz e o que se faz, surge uma lacuna gigante.
Neste texto, vamos examinar essa contradição: professores exigem piso adequado, condições decentes e valorização, enquanto muitos políticos mantêm privilégios — salários altos, benefícios e auxílios. Veremos como o discurso de “governar por amor” frequentemente ignora os sacrifícios reais de quem ensina, e os exemplos que nunca são seguidos.
1. O Piso Salarial do Professor: Lei, Realidade e Lacunas
- Em 2025, o piso nacional do magistério para jornada de 40 horas semanais foi reajustado para R$ 4.867,77.
(gov.br/mec)
Também reportado pela Agência Brasil:
(agenciabrasil.ebc.com.br) - Porém, muitos municípios ainda não cumprem integralmente esse piso. Pesquisas e levantamentos locais indicam que um terço deles não paga o valor legalmente fixado.
(terra.com.br)
2. Os Privilégios Políticos que Contrastam com a Realidade Docente
2.1 Salários muito acima da média
- Deputados federais, senadores e ministros figuram entre os cargos de maior remuneração do serviço público, com valores que ultrapassam R$ 46 mil mensais, segundo reportagens especializadas.
(investidor10.com.br) - A CNN Brasil aponta que esses cargos chegam a receber 15,2 vezes o salário médio da população.
(cnnbrasil.com.br)
2.2 Disparidades relatadas por análises
- Um relatório de mídia afirma que políticos e juízes ganham até 22 vezes mais que a renda média do brasileiro.
(ceilandiaemalerta.com.br) - Em 2025, a Câmara dos Deputados aprovou proposta para que professores contratados por tempo determinado também recebam o piso nacional, o que evidencia que os políticos reconhecem a necessidade, mas nem sempre a prática.
(câmara.leg.br)
3. A Ausência de Exemplos Práticos de Governar “por Amor”
Se políticos realmente desejassem demonstrar que governam por amor, poderiam adotar medidas como:
- Renunciar a parte de seus privilégios (auxílios, verbas de gabinete)
- Reduzir seus próprios salários para se aproximar da realidade da maioria
- Priorizar orçamento para educação, antes de aumentos automáticos de cargos políticos
Até agora, poucas lideranças fizeram isso de fato. O discurso permanece, mas o exemplo raramente aparece.
4. Amor, Vocação e o Preço dos Professores
- Professores são cobrados para amar sua profissão, manter paciência, educar em ambientes sem estrutura, em turmas grandes e com jornadas extras não remuneradas.
- Mesmo com esse chamado à vocação, muitos estados e municípios não aplicam o piso legal, contrariando aquilo que se exige dos docentes.
- Pedir amor ao professor sem fornecer condições mínimas é pedir sacrifício. E sacrifício não pode ser a regra de uma profissão essencial.
5. Consequências da Contradição
- Desmotivação e evasão: docentes abandonam a carreira ou caminham para redes privadas para garantir sobrevivência.
- Desigualdade social reforçada: quando os recursos favorecem o poder político mais que a educação básica, o fosso social cresce.
- Perda de legitimidade: quando o povo percebe que quem fala de amor vive em luxos, a confiança nas instituições se erosiona.
6. Exemplos Reais de Políticos Privilegiados que Nunca “Governaram por Amor”
- Ajustes recentes elevaram salários de ministros e parlamentares para patamares superiores a R$ 46 mil, mesmo em contexto de crise econômica, enquanto muitos professores ainda esperam cumprir o piso legal.
(investidor10.com.br) - Ao mesmo tempo, estados que deveriam garantir o piso nacional ainda falham em alguns municípios, evidenciando que o descumprimento persiste.
(terra.com.br)
7. Caminhos Para que “Governar por Amor” Seja Algo Real
- Transparência total nos gastos públicos, especialmente nos auxílios, verbas de gabinete e cargos comissionados
- Revisão de privilégios — que sejam públicos e justificáveis ou reduzidos para alinhar-se com a realidade da maioria
- Cumprimento rigoroso do piso do magistério, com fiscalização nacional, estadual e municipal
- Prioridade de orçamento para educação básica — com cortes em privilégios supérfluos
- Exemplos simbólicos de políticos renunciando benefícios ou reduzindo salários para demonstrar compromisso
Conclusão
Governar por amor é ideal que necessita de coerência.
Se políticos mantêm privilégios distantes da vida dos professores e cidadãos comuns, o discurso se torna hipocrisia.
Para que o Brasil valorize seus educadores e promova justiça social, precisamos cobrar que quem promete “governar por amor” comece a dar exemplo — com ações, não apenas palavras.
Referências
- Piso dos professores 2025 fixado em R$ 4.867,77
(gov.br/mec) - “Salário dos professores: piso da educação sobe 6,27%”
(agenciabrasil.ebc.com.br) - Cobertura de que um terço dos municípios não paga o piso
(terra.com.br) - A reportagem da CNN Brasil sobre 9,1 milhões de jovens que abandonaram a escola até 2023
(cnnbrasil.com.br) - Projeto aprovado para que professores temporários tenham direito ao piso nacional
(câmara.leg.br)