O setor de comércio — atacado, varejo, supermercados e lojas abertas aos finais de semana — representa um dos pilares econômicos mais importantes de qualquer sociedade e da ansiedade. No entanto, por trás da aparente normalidade das vitrines iluminadas e prateleiras organizadas, existe um universo de pressões psicológicas, metas inalcançáveis, assédio moral e salários desproporcionais ao esforço exigido.
Neste artigo, vamos refletir sobre como a rotina de trabalhadores do comércio impacta diretamente a saúde mental, aprofundando-se em temas como cumprimento de metas abusivas, assédio moral praticado por cargos de liderança, falta de empatia da gestão e dos clientes, além das condições injustas impostas nos primeiros meses de trabalho, quando o salário é baixíssimo e benefícios como plano de saúde são negados.
Nosso objetivo aqui não é apenas denunciar, mas propor caminhos de conscientização, acolhimento e transformação.
Prepare-se para uma análise crítica, humana e necessária sobre ansiedade nesse segmento.
1. O peso invisível das metas abusivas
Metas são, em teoria, ferramentas de gestão que orientam e direcionam o desempenho de uma equipe. No entanto, quando se tornam abusivas, elas deixam de ser incentivo para se transformarem em instrumentos de opressão.
Em muitos supermercados e lojas de varejo, funcionários precisam atingir vendas ou resultados que não condizem com a realidade do mercado, da clientela ou do fluxo de consumidores. Pior: não se leva em conta a condição emocional de quem precisa executar o trabalho.
Essa cobrança constante gera:
- Aumento da ansiedade antecipatória, já que o funcionário acorda pensando se conseguirá bater a meta.
- Medo de punições, como advertências e até demissões.
- Exaustão emocional, pois a cobrança é contínua e raramente há reconhecimento.
As metas abusivas criam uma atmosfera em que o trabalhador nunca se sente suficiente. O esforço é invisibilizado, e o foco recai apenas no que “falta” entregar.
2. O assédio moral disfarçado de “liderança”
Outro aspecto alarmante no comércio é a atuação de líderes que confundem autoridade com autoritarismo. Chefes, supervisores ou gerentes recorrem a práticas de assédio moral para manter o controle da equipe. Isso pode se manifestar em:
- Humilhações públicas diante de colegas e clientes.
- Comparações cruéis: “seu colega vendeu mais do que você”.
- Ameaças veladas de demissão.
- Exigências desproporcionais de horários, muitas vezes ignorando o descanso mínimo.
Essas atitudes, repetidas diariamente, minam a autoestima do trabalhador, ampliam os sintomas de ansiedade e instalam um ciclo de autocrítica destrutiva, no qual a pessoa passa a acreditar que realmente não é boa o suficiente.
O assédio moral não é “rigor profissional”: é violência psicológica que, a longo prazo, adoece corpos e mentes.
3. A falta de empatia da gestão e dos clientes
Trabalhar com atendimento ao público é lidar com humores, frustrações e exigências de terceiros. Os clientes, muitas vezes, transferem suas próprias insatisfações para o funcionário que está na linha de frente, cobrando agilidade e perfeição sem sequer olhar para a condição humana daquele trabalhador.
Somado a isso, gestores que deveriam oferecer suporte acabam reforçando a pressão, esquecendo que por trás do uniforme existe uma pessoa com limites, histórias e vulnerabilidades.
Essa ausência de empatia cria um cenário em que:
- O trabalhador se sente desumanizado.
- Os sintomas de ansiedade aumentam por causa do medo constante de errar.
- O ambiente se torna tóxico, corroendo relações entre colegas e gerando isolamento.
4. Os primeiros três meses: baixos salários e exclusão de benefícios
Um dos momentos mais críticos da jornada no comércio é o período inicial, quando a maioria das empresas impõe:
- Salários baixíssimos, muitas vezes próximos ao mínimo, sem considerar o peso da carga de trabalho.
- Exclusão de benefícios, como plano de saúde, auxílio alimentação ou transporte em condições adequadas.
- Insegurança contratual, já que muitos são descartados antes mesmo de completar o período de experiência.
Essa prática desumana coloca o trabalhador em uma posição de vulnerabilidade extrema: precisa suportar a pressão das metas, o assédio e a falta de empatia sem acesso a cuidados básicos de saúde.
O resultado? Pessoas que desenvolvem problemas graves de ansiedade, depressão e até doenças físicas decorrentes do estresse crônico.
5. Ansiedade como resposta ao ambiente de trabalho
A ansiedade, nesses contextos, não é um sinal de fraqueza do trabalhador, mas sim uma reação natural a um ambiente opressor. Sintomas como:
- Taquicardia,
- insônia,
- irritabilidade constante,
- dificuldade de concentração,
- sensação de aperto no peito,
não surgem do nada: eles são fruto de condições de trabalho abusivas.
Ao naturalizar esses sinais, a gestão e a sociedade perpetuam um modelo onde a saúde mental é tratada como descartável.
6. Caminhos de resistência e mudança
Diante desse cenário, é urgente buscar soluções. Algumas estratégias que podem transformar a relação entre saúde mental e trabalho no comércio incluem:
6.1 Reconhecimento e acolhimento
Empresas precisam adotar políticas de acolhimento psicológico, criando canais seguros para que funcionários relatem pressões e abusos sem medo de retaliação.
6.2 Metas humanizadas
Metas devem ser ajustadas à realidade e ao fluxo de trabalho, reconhecendo o esforço coletivo e não apenas os números finais.
6.3 Formação de líderes empáticos
Treinar gestores para atuarem com empatia, respeitando limites humanos e valorizando conquistas, é essencial para quebrar o ciclo de assédio moral.
6.4 Sindicatos e direitos trabalhistas
Fortalecer a atuação sindical e garantir que trabalhadores conheçam seus direitos ajuda a criar resistência frente às práticas abusivas.
6.5 Saúde mental como prioridade
Planos de saúde devem ser oferecidos desde o início do contrato, incluindo cobertura psicológica e psiquiátrica.
7. O papel da sociedade e dos consumidores
Nós, enquanto sociedade, também temos responsabilidade. Cada vez que tratamos um atendente com desdém ou ignoramos a sobrecarga que enfrentam, reforçamos a cadeia de opressão.
É preciso lembrar que a pressa de uma compra não pode valer mais que a saúde de quem está nos atendendo. Humanizar o consumo significa reconhecer o esforço por trás de cada produto colocado em nossas mãos. Afinal ansiedade não é exclusividade do cliente, o funcionário também é gente.
8. Histórias que não podem ser silenciadas
Relatos de trabalhadores mostram o quanto a realidade é dura:
- Jovens que desenvolveram crises de pânico após humilhações constantes.
- Mulheres que perderam a autoestima diante de líderes abusivos.
- Homens que, para sustentar suas famílias, aceitaram trabalhar meses sem benefícios, mesmo adoecendo.
Essas histórias revelam que a luta por saúde mental no comércio não é apenas individual, mas coletiva. essas histórias revelam que a luta por ambiente de trabalho saudável é importante para combater a ansiedade
9. Conclusão: uma chamada à mudança
A ansiedade gerada pelo comércio varejista e atacadista não é apenas consequência da vida moderna: é resultado direto de metas abusivas, assédio moral, falta de empatia e condições injustas de trabalho.
Reconhecer isso é o primeiro passo para transformar realidades. Não podemos mais aceitar que supermercados e lojas abertos aos finais de semana construam lucros à custa da saúde mental de seus funcionários.
É hora de cobrar políticas mais humanas, apoiar trabalhadores e, principalmente, respeitar os limites de quem mantém o comércio vivo todos os dias.

Saúde Mental e Trabalho no Comércio: Ansiedade, Metas Abusivas, Assédio Moral e a Falta de Empatia
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